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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Arábia Saudita se destaca como país que mais entrava acordo do clima



As negociações para o acordo do clima em Paris estão travadas há mais de 24 horas, e a Arábia Saudita, como era esperado do maior exportador de petróleo do mundo, é o país que mais tem trabalhado para atravancar as negociações.

Delegados que atuam como observadores na COP relatam diversas manobras de representantes do país na COP 21. Entre as interferências retrógradas que o país fez na conferência estiveram bloquear a adoção de metas de aumento de temperatura menores para o planeta e tentar impedir a revisão das promessas de corte de emissão em uma escala mais rápida.

A coalizão ambientalista Climate Action Network, que reúne mais de 900 ONGs e possui vários observadores na COP 21, entregou todos os dias, desde o primeiro dia da COP 21, o antiprêmio “Fóssil do Dia”, criticando as nações e entidades que mais contribuíram para que o reinado dos combustíveis fósseis continue. A Arábia Saudita ficou em primeiro lugar três vezes em Paris.

Veja abaixo a lista dos "ganhadores" até agora:

 Dia 1 (30/11)
1º Lugar -- Nova Zelândia, que chegou à COP 21 com um discurso de descontinuação dos combustíveis fósseis mas mantém subsídios da ordem de US$ 80 milhões por anos para exploração de petróleo e carvão

2º Lugar – Bélgica, por estar atrasada na implementação de cortes de emissão que assumiu como membro da União Europeia. O ministro do ambiente do país se atrasou para a COP 21 porque inaugurava usinas nucleares.

Dia 2 (01/12)
1º Lugar – O Fórum dos Vulneráveis ao Clima recebeu um “Raio de Luz” no lugar de um “Fóssil do Dia”. A homenagem foi concedida aos países do grupo, particularmente sujeitos a sofrer com a mudança climática, por prometerem zerar suas emissões de carbono em 2050.

Dia 3 (02/12)
1º Lugar – ICAO (Organização Internacional de Aviação Civil) e IMO (Organização Marítima Internacional), por manobras para deixar os dois setores fora da jurisdição do acordo de Paris, mesmo com os dois sendo responsáveis por cerca de 6% das emissões globais de gases do efeito estufa hoje.

Dia 4 (03/12)
1º Lugar – Dinamarca, por reduzir suas contribuições para financiar o combate à mudança climática de US$ 72 milhões para US$ 39 milhões. O primeiro-ministro do país ainda fala em desistir da meta de 40% de redução que dinamarqueses assumiram para 2020.

Dia 5 (04/12)
1º Lugar – Arábia Saudita, por fazer campanha contra o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C. O outro número a ser mencionado no acordo é de 2°C, mas cientistas afirmam que muitas ilhas e áreas costeiras desapareceriam com o aumento do nível do mar a uma temperatura acima de 1,5°C.

2º Lugar – Noruega, EUA e Arábia Saudita, por tentarem uma manobra retórica para diminuir a importância de questões ligadas a direitos humanos , segurança alimentar e conservação de ecossistemas no texto esboço do acordo.

3º Lugar – Arábia Saudita, de novo, por bloquear a adoção de uma agenda mais rápida para revisão das promessas dos países para desaceleração nas emissões de gases do efeito estufa.

Dia 6 (07/12)
1º Lugar – Arábia Saudita e Venezuela, por aparentarem aceitar a meta de estabilização da concentração de CO2 na atmosfera, mas ao mesmo tempo minarem as discussões sobre objetivos de redução nas emissões de combustíveis fósseis.

Dia 7 (08/12)
1º Lugar – Arábia Saudita por adotar uma retórica em discursos na COP 21 afirmando que produtores de petróleo estão sendo discriminados uma maneira de impedir que o acordo discrimine

Dia 8 (09/12)
1º Lugar – Argentina e Austrália, por estarem apoiando a meta de 1,5°C como teto para o aumento de temperatura do planeta mais ao mesmo tempo estarem subsidiando termelétricas a carvão em seus países.

Fonte: G1 (Por Rafael Garcia)

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